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Finanças pessoais: como dividir as contas de casa com o parceiro

finanças pessoais

Por que você precisa ler este artigo?

Em um casamento, cuidar das finanças pessoais conjuntas é função do casal. A divisão de contas deve ser feita de forma justa para permitir que os dois tenham liberdade de traçar metas pessoais.

Quando você se casa ou vai morar junto com o parceiro ou parceira, suas finanças pessoais passam a ser uma questão do casal. Cuidar das despesas da casa é função dos dois e é preciso conversar bastante para chegar a um acordo sobre como elas serão administradas.

Maisa Diniz, administradora e sócia da Pink Bullish, um serviço de terapia financeira para empoderar mulheres, afirma que o assunto “finanças” não é recorrente entre o sexo feminino. Para muitas, lidar com dinheiro ainda é tabu.

Mulheres – principalmente as brancas – só conquistaram o mercado de trabalho no século 20. Até então, a responsabilidade de pagar as contas era do homem. Hoje, o sexo feminino ganhou o mercado. Mas por mais que muitas trabalhem fora de casa e até ganhem melhor, é o homem quem fica encarregado de administrar as contas em várias situações.

O mesmo ocorre com empreendedoras. Muitas vezes, a ideia do negócio é dela e quem toca a empresa é ela. Mas quem cuida do dinheiro é o marido.  “Dinheiro é uma coisa pessoal, íntima. Quem deve negociar suas ideias é você. Não transfira essa responsabilidade. Seu marido pode ser ótimo e confiável, mas o dinheiro é seu”, explica Maisa.

Toda vez que a gente permite que outra pessoa tenha controle sobre nossa vida financeira, estamos menos empoderadas.

Antes de decidir viver sob o mesmo teto, o casal deve ter uma conversa franca sobre como será a divisão das contas e como, juntos, vão administrar as despesas. O diálogo é essencial para que a relação continue saudável e para que nenhum dos dois se sinta pressionado ou infeliz.

O diálogo começa antes do casamento

Gabriela Melo é economista e sócia da Maisa na Pink Bullish. Para ela, antes mesmo de juntar os trapos, é preciso conversar sobre finanças pessoais. Primeiro, os parceiros devem entender se têm dinheiro suficiente para morar juntos.

“É preciso ter uma noção de quanto cada um pode arcar com custos fixos baseado no quanto ganham. Depois disso, decidir se vão morar juntos, se faz sentido morar perto do trabalho de um, perto do trabalho de outro”, explica. “Tem que levar em conta todos os custos, como transporte e alimentação”, completa.

O arranjo feito deve valer a pena para os dois. Morar perto do trabalho de um pode valer a pena, já que irá economizar com transporte e alimentação, pois poderá almoçar em casa. Mas e para o outro? O ideal é fazer as contas e otimizar os custos.

Como dividir as contas?

Para Gabriela, o casal pode ter uma conta conjunta, mas também é importante ter contas separadas para cada um administrar parte do que é seu. Quando as finanças pessoais se misturam, a pessoa pode perder o controle do que ela ganha e gasta. “E perder esse controle é muito ruim, porque significa perder a liberdade”, opina.

Quanto a divisão de contas, Gabriela acredita que o ideal é dividir proporcionalmente. Nessa lógica, quem ganha mais, paga mais. Por exemplo, o salário do seu marido é R$ 3 mil e o seu é R$ 2 mil. Isso significa que juntos eles têm R$ 5.000. As despesas fixas da casa custam R$ 2 mil por mês. Fazendo uma regra de três simples, descobre-se que o salário dele corresponde a 60% do dinheiro do casal, enquanto o seu salário é equivalente a 40%. Logo, nas contas da casa, ele paga 60% e você 40%.  Isto é, pela divisão proporcional, seu parceiro pagaria R$ 1.200 e você R$ 800.

Se o casal decide dividir as contas ao meio, independente do salário de cada um, é importante aprender a fazer concessões. Nem sempre você poderá acompanhar seu marido em um restaurante mais caro, ou ele poderá viajar com você quando bem entende. Optem por um passeio mais barato, ou decidam que o mais endinheirado cobre os custos do outro nessa ocasião.

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Foto: Istock/Getty Images

Para Maisa, não há regras para dividir as despesas: o importante é que os dois estejam de acordo com a divisão escolhida. “O ideal é entrar em um acordo. Tem casais que dividem tudo de forma proporcional. A hora em que a esposa estiver ganhando mais, ela paga mais contas e vice-versa. Em outros casos o marido paga tudo, é isso que a esposa espera dele e ele também se sente confortável. A ideia é que essa construção seja feita de forma clara. Tudo tem que ser conversado”, opina.

Nenhum dos parceiros deve ser pressionado a aceitar um sistema com o qual não concorda. Maisa conta que os índices de suicídio são mais altos entre homens por questões financeiras. Culturalmente, eles ainda são pressionados a serem “provedores” e a bancar todas as contas.

A mulher, por outro lado, se sente insegura ao lidar com dinheiro porque não é educada para isso, o que também é uma questão cultural. A tendência é que ela deixe o controle financeiro na mão do marido e isso não é saudável para nenhum dos dois.

Mas Maisa alerta: se os dois companheiros se sentem confortáveis quando apenas um paga todas as contas, tudo bem — desde que ambos tenham liberdade para realizar seus desejos e traçar seus objetivos.

A mulher que tem medo de contar ao marido quanto pagou por um par de sapatos não tem uma relação saudável. O mesmo serve para a mulher que quer fazer um curso para aprimorar suas habilidades profissionais, mas se sente culpada a gastar parte do dinheiro com algo pessoal.

Ter controle sobre suas finanças pessoais é sinal de liberdade

Cuidar das suas finanças empodera, e empoderamento traz liberdade. Dentro de um relacionamento, os objetivos individuais também importam. Se você sabe quanto ganha e quanto gasta, fica mais fácil traçar metas.

“Você precisa ter controle da sua vida financeira”, diz Gabriela. “Ela vai te ajudar a conquistar seus objetivos. Se quiser fazer um curso, não vai precisar se justificar para alguém. Por exemplo, você quer aprender a fazer bijuterias e acredita que pagar um curso é um investimento. É uma decisão só sua, é sua liberdade”, finaliza.

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