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Empreendedorismo jovem cresce como alternativa à crise e como opção de carreira

empreendedorismo jovem

Abrir o próprio negócio tem se tornado uma opção de carreira cada vez mais cedo. Segundo a Conaje (Confederação Nacional dos Jovens Empresários), o empreendedorismo jovem cresceu muito na última década, mesmo com todas as dificuldades que o país enfrenta.

Ananda Carvalho, vice-presidente da Conaje, explica que os mais jovens estão empreendendo por dois principais fatores. O primeiro fator é a globalização, que abre a cabeça das pessoas para novas oportunidades e diferentes estilos de vida. Trabalhar em um emprego convencional, com horário para entrar e sair, já não faz tanto sentido em tempos de expandir os horizontes e viver novas experiências.

O segundo fator é mais triste. A crise econômica no Brasil tem impedido os jovens de conseguir o primeiro emprego. Fora do mercado de trabalho, enxergam o empreendedorismo como única opção de sobrevivência.

Cada vez menos jovens conseguem o primeiro emprego, então a tendência é que caminhem para o empreendedorismo por necessidade, principalmente para o trabalho informal.

Quem são os jovens empreendedores brasileiros

A maioria esmagadora dos jovens empreendedores brasileiros são homens: 71%. Trinta e cinco por cento começam a empreender entre os 26 e 30 anos, enquanto 28% têm entre 31 e 35 anos e 18% têm de 21 a 25. Os dados são da segunda edição da pesquisa sobre jovens empreendedores da Conaje, divulgada em 2016.

Ananda explica que ainda que os homens sejam maioria, esse cenário está mudando – principalmente entre as mulheres um pouco mais velhas.

“Comparada com a pesquisa global, que engloba empreendedores de 18 a 64 anos, a mulher empreende tanto quanto o homem”, diz. “Mas na base de jovens empresários, a mulher ainda está em desvantagem. Ela empreende mais tarde, o crescimento é gradativo”, completa. A vice-presidente também afirma que o número de jovens que abrem empresas para a prestação de serviços é cada vez maior.

Boa parte desses empreendedores têm curso superior e geralmente são formados em administração. Muitos têm até pós-graduação ou mestrado. Na maioria dos casos, diversificam o negócio e investem em duas áreas diferentes, mas prestando serviços como terceiros.

A pesquisa da Conaje aponta para um dado interessante: alguns empreendedores jovens têm micro e pequenas empresas que geram trabalho, empregando até nove funcionários. “De fato, eles geram emprego e renda. A economia do Brasil hoje é segurada por micro e pequenas empresas. Então os jovens empreendedores contribuem significativamente. No volume, representam mais do que a própria indústria”, defende Ananda.

Dificuldades e vantagens do empreendedorismo jovem

O Brasil não incentiva o empreendedorismo em nenhuma fase da vida – nem com política públicas, nem durante a formação das crianças nas escolas. Já os países desenvolvidos formam os jovens para desenvolver uma visão empreendedora e trabalhar com essa opção no futuro desde cedo.

Para Ananda, uma oportunidade foi perdida na nova reforma do Ensino Médio, sancionada pelo presidente Michel Temer neste ano. Por um lado, valoriza o ensino técnico, o que pode ser positivo. Mas por outro, continua não dando espaço para o estímulo ao empreendedorismo. Além disso, ignora a educação financeira, tão importante para quem tem o sonho de abrir uma empresa.

“O Brasil tem um dos mais altos índices de pessoas endividadas. Há uma falta de habilidade que começa pelas finanças pessoais. O brasileiro não poupa, não investe. Acha que por que ganha pouco, não tem condições de investir, o que não é uma verdade”, argumenta.

Quando o adulto entra para o mundo dos negócios, sua falta de habilidade em lidar com finanças se reflete na empresa e o resultado pode ser catastrófico. Além disso, ele precisa lidar com o principal inimigo do empreendedor no país: os altos impostos.

“Todo empresário enfrenta o excesso de burocracia para abrir a empresa. Você é taxado, tem muitos impostos. Nem começou a faturar e já tem que pagar um monte de imposto como se fosse uma empresa que fatura alto”, explica Ananda. “Isso explica, mas não justifica uma série de sonegações”, afirma.

No caso dos jovens, há outra barreira financeira. Não existem linhas de financiamento para jovens, por motivos como falta de credibilidade e histórico bancário insuficiente.

Mas também há lados positivos: os jovens têm pouco a perder, têm mais coragem de tomar riscos e são mais arrojados do que os adultos. A geração atual também tem mais acesso a informação e chances de se capacitar do que a anterior. Há cada vez mais jovens investindo seus recursos pessoais com o objetivo de multiplicar o patrimônio, ao invés de buscar estabilidade e colocar todo o dinheiro em um imóvel, por exemplo.

Mas todas essas qualidades podem vir abaixo se não existir um mínimo de conhecimento. “A experiência te ensina, e ela ensina pelo erro. Se o jovem não dosar o impulso, o arrojo, ele enfia os pés pelas mãos”, alerta Ananda.

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