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Saiba por que o feminismo das mulheres negras é importante

feminismo negro

Muita gente não sabe, mas feminismo não é o oposto de machismo. Enquanto o machismo nega à mulher as mesmas condições e direitos do homem, o feminismo luta pela igualdade de direitos entre mulheres e homens. Pela lógica, então, todos deveríamos ser feministas. Mas não é bem assim que acontece. Inclusive existem diversas bandeiras de luta dentro do feminismo, sendo uma delas o feminismo negro, que luta contra a opressão a uma minoria (negras) dentro de outra minoria (mulheres).

O movimento feminista de mulheres negras ganhou força nos anos 1980 no Brasil. Elas se deram conta de que o espaço reservado para elas na sociedade era ainda menor do que para as mulheres brancas. A presença das mulheres negras no Ensino Superior e no mercado de trabalho vem aumentando pouco a pouco graças à organização e consequente luta dessas mulheres.

A Lei de Cotas, instituída em 2012, permitiu que o acesso de pessoas negras ao Ensino Superior crescesse em grande medida. Segundo o MEC, o percentual de negros entre 18 e 24 anos que cursavam ou haviam concluído o Ensino Superior era de 1,8% e, em 2013, saltou para 8,8%.

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Djamila Ribeiro, pesquisadora na área de Filosofia Política, e atualmente secretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo, é uma das líderes do movimento negro feminista e falou para o site Afreaka sobre a importância de ações afirmativas como essa com o objetivo de alcançar a igualdade de direitos para todos.

“Muitas [mulheres negras] já abriram caminhos nas universidades, mas o caminho ainda é longo. Acredito que com a implementação das cotas essa realidade venha a mudar nos próximos anos. (…) É necessária uma multiplicidade de vozes. E as intelectuais negras vêm pautando isso”, ressaltou.

A força e a importância do feminismo negro

A Lei de Cotas reserva 50% das vagas em todos os cursos de Ensino Superior de instituições federais. Essa medida é uma forma de reparar erros históricos, como a escravidão e a submissão das mulheres negras, que deixaram de ocupar os mesmos lugares frequentados por pessoas brancas por muitos anos, já que eram considerados “pessoas de raça inferior”. Isso se deve a uma visão ainda muito presente do pensamento “eurocêntrico”, ou seja, que tem a Europa como centro, que qualifica apenas homens brancos das classes dominantes.

O movimento que une e fortalece as mulheres negras e pede mais participação delas em todas as instâncias da sociedade é saudável e necessário para um mundo mais justo e igualitário. “Há uma grande produção de mulheres negras, mas ainda temos pouco acesso por conta do conhecimento hegemônico ainda ser eurocêntrico, branco, masculino. Ao colocar a mulher negra no centro do debate e, a partir desse lugar, pensar a sociedade e realizar diagnósticos muito mais sofisticados, inclusive de ação política, todos nós ganhamos”, completou Djamila ao site Afreaka.

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