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Lady Driver, o aplicativo de transporte só para mulheres

aplicativo de transporte

Quando foi assediada por um taxista, Gabriela Correa decidiu tomar a iniciativa de criar um aplicativo de transporte exclusivo para mulheres. Segundo a empreendedora, toda brasileira já sofreu algum tipo de assédio ou conhece alguém que já passou por isso ao usar táxi, ônibus ou metrô.

Gabriela já havia empreendido duas vezes antes de criar o aplicativo Lady Driver. “Desde nova tive uma veia empreendedora muito forte. Primeiro tive uma oficina mecânica e depois uma empreiteira”, conta. Antes de desenvolver a ferramenta, também trabalhou nas obras das olimpíadas do Rio de Janeiro.

A empreendedora sofreu assédio de um taxista chamado por um aplicativo. Como o motorista sabia onde ela morava, ficou com medo de denunciá-lo. Depois dessa experiência, passou a se locomover apenas com motoristas mulheres, mas era muito difícil encontrá-las nas plataformas normais. Além disso, não havia nenhum aplicativo só para o sexo feminino.

Começou a fazer uma pesquisa entre as amigas e todas apoiaram a ideia de criar um aplicativo de transporte para mulheres. Como nunca havia trabalhado com tecnologia, precisou pesquisar muito. Leu livros, assistiu a vídeos no Youtube e viu cursos online. “Eu já tinha experiência em gestão, mas não em tecnologia. Comecei a estudar mais para criar uma startup enxuta e com impacto bacana”, explica.

Em setembro do ano passado, Gabriela testou o MVP e deu certo. Decidiu pedir a legalização na prefeitura para lançar a Lady Drive e começar a atuar. Ao lado de duas sócias, desenvolveu o modelo de negócios e lançou o aplicativo no dia 8 de março, com 1.100 motoristas já cadastradas.

Aplicativo de transporte para mulheres

Hoje, a Lady Driver já tem mais de 8.500 motoristas cadastradas e 105 mil downloads – número que cresce a cada dia. “As mulheres estão valorizando o serviço, querem usar. Dizem que é a realização de um sonho. Mas não é fácil, é o resultado de um trabalho duro que a gente faz”, declara.

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Foto: Istock/Getty Images

O maior desafio da empresa é conseguir investimento. Gabriela afirma que infelizmente há muito machismo em torno do projeto, tanto por serem motoristas mulheres quanto por ser uma empresa conduzida pelo sexo feminino. “Acham que mulher não dirige bem, ou que um negócio com mulheres no comando não dá certo. E para o negócio escalar, é preciso ter investimento”, diz.

Além disso, as sócias estão aprendendo com a prática do dia a dia. Um dos desafios é oferecer a melhor experiência do usuário para que volte a usar o aplicativo. Um dos diferenciais da Lady Driver é permitir que a cliente escolha motoristas favoritas para viajar sempre com as elas.

Para as motoristas, a Lady Driver também é vantajoso. Elas se sentem mais seguras e têm a possibilidade de criar uma cartela de clientes. Para Gabriela, essa é uma das partes mais gratificantes do negócio: perceber que está empoderando outras mulheres que precisam conquistar sua independência. Há universitárias que precisam pagar a faculdade, mulheres separadas que nunca trabalharam e precisam se sustentar, muçulmanas que não podem transportar homens e assim por diante.

O aplicativo permite apenas o cadastro de motoristas e passageiras mulheres. Se uma cliente quiser levar consigo um homem na viagem, é permitido, mas o ideal é que avise a motorista para que ela tenha a chance de negar se quiser.

Como trabalhar na Lady Driver

A Lady Driver segue as normas da prefeitura de São Paulo. Para se tornar motorista, é preciso apresentar carteira de motorista com EAR (emitida no Poupatempo), antecedentes criminais, comprovante de residência e documento de um carro quatro portas, com ar condicionado e que seja pelo menos de 2012.

Antes de começar a dirigir, a nova motorista deve passar por um treinamento na Lady Driver. Elas aprendem a prestar o melhor serviço possível e ainda ouvem palavras de empoderamento. Afinal, estão quebrando barreiras e entrando em um mercado dominado pelos homens.

Para Gabriela, a mulher não fica mais calada diante do assédio. Antes, ela tinha vergonha ou medo de contar pelo que passou. A própria empreendedora foi aconselhada por muita gente a não contar que foi assediada por um taxista para não queimar a imagem da empresa. Mas decidiu falar a verdade e acredita que muita gente está disposta a fazer o mesmo e a mudar a realidade para melhor.

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