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A trajetória de Ana Viana, do Buji, que oferece decoração a partir do reuso de objetos

Ana Viana

Ana Viana nasceu e cresceu em Brasília. Sua mãe Izabel veio do Mato Grosso para trabalhar em um hospital na capital do país e seu pai Pedro, de Minas Gerais, como motorista do Ministério da Marinha. Eles viviam no bairro periférico de Novo Gama, a 40 minutos do Plano Piloto, a região planejada de Brasília. Quando tinha 9 anos, seu pai morreu e, então, ficou sendo só a mãe e ela.

Há sete anos, Ana é moradora de São Paulo e foi aqui que ela desenvolveu a ideia do Buji, sua empresa de decoração que faz reuso de materiais, objetos e móveis, que estão encostados e esquecidos, e dá um novo significado para eles dentro da casa das pessoas.

Com quase 40 anos e dois filhos, Ana passou por muitas outras ocupações e profissões até finalmente se dedicar ao seu negócio. Sua educação foi basicamente toda em escolas públicas. Apenas no segundo ano do Ensino Médio que foi para um colégio particular: um de seus irmãos mais velhos sabia que isso poderia fazer a diferença na formação de Ana e a ajudou a pagar seus estudos.

Foi então que prestou vestibular para o curso de Letras em uma faculdade particular e passou. No entanto, teve que atrasar por um semestre o início do curso porque descobriu que estava grávida, aos 17 anos. Com o apoio do pai da menina, Alex, e também com o recurso do Fies, que concedeu 50% de financiamento estudantil, Ana não precisou desistir do curso. Separou-se de Alex aos 21 anos e voltou a morar com a mãe (e Thabatta, sua filha, a tiracolo). 

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Até chegar no Buji, Ana exerceu diversas atividades: foi vendedora de uma renomada loja de CDs de Brasília, trabalhou no centro de documentação da Caixa Econômica Federal e deu aulas de português para estrangeiros em diversas embaixadas, como Inglaterra, Israel e Alemanha. Também trabalhou como revisora de textos do jornal Correio Braziliense. Paralelamente a tudo isso, ela nutria seu interesse por decoração.

“Eu atribuo esse interesse ao fato de eu ter tido casa muito cedo”, diz ela, que sempre teve bom gosto para a escolha de tecidos e materiais para a decoração de seu cantinho. Juntou-se a um amigo que gostava de fazer tudo com suas próprias mãos — de capas para almofadas a costuras de todos os tipos — e, juntos, começaram a oferecer o serviço para os amigos. “Sempre fui autodidata, gostava de estudar o assunto e experimentar na minha casa ou na casa de conhecidos”, relembra.

O crescimento e as dificuldades do Buji

Aos 22 anos, Ana conheceu o designer Daniel Grilo, com quem foi casada por 16 anos e tem o filho Pedro. “O Daniel me apresentou grande parte daquilo que é minha referência hoje, refinou o meu gosto e estreitou o meu laço com a arte”, conta. O então marido foi convidado para trabalhar em São Paulo e ela veio junto com a filha. Quando chegou, Ana foi trabalhar como revisora de textos em diversas revistas, como “Trip” e “Casa Vogue”. Depois, seguiu para uma agência de marketing digital e foi lá que sentiu aquele empurrão para o empreendedorismo.

“Lá, a gente trabalhava para pessoas que desejavam transformar seus negócios em algo rentável na internet. Foi aí que pensei: ‘poxa, tenho um superprojeto de decoração acessível, vou cuidar dele!’”, relembra.    

Por meio de amigos em comum de Brasília, já tinha conhecido a arquiteta Bárbara Ávila, que sempre curtiu a ideia do blog de decoração que Ana vinha tocando como plano B. Decidiram se dedicar 100% ao negócio, que cresceu graças à força das redes sociais. “Grande parte dos nossos clientes veio do Instagram”, conta.

A preocupação com a apresentação do blog e depois do site e do Instagram, que Ana e Bárbara sempre tiveram desde o início, em 2013, fez toda a diferença para que, em pouco tempo, o Buji ganhasse reconhecimento. “Um amigo fotógrafo, que sempre curtiu o projeto, fez todas as imagens iniciais. Isso contou muitos pontos a favor do nosso negócio”, afirma. Ao longo do tempo, tiveram ajustes a serem feitos, é claro, mas nada que fugisse da missão, visão e valores que nasceram junto com o negócio.

Ana Viana e Bárbara Ávila

Foto: Divulgação

Atualmente, o Buji oferece dois tipos de serviços: projeto completo e consultoria rápida. O projeto completo, como o próprio nome diz, se propõe a dar uma remodelada em diversos cômodos da mesma casa ou escritório. Já a consultoria rápida nasceu com o objetivo de ser mais acessível e oferecer um guia de orientação para transformação do espaço em até 10 dias. O grande desafio, segundo Ana, é fechar as contas no final de cada mês.

“São duas pessoas, que têm filhos, que vivem basicamente dessa empresa. Quando começamos, não fazíamos ideia da importância da organização para que o negócio desse certo.” Na opinião de Ana, precificar é a parte mais difícil. “A gente trabalha com criatividade e ideias e não sabíamos, no começo, como cobrar por um serviço. Mas aprendemos que cada minuto seu pode valer muito”, conta.

O fato de ser negra não faz muita diferença para ela. “Eu não senti muito preconceito ao longo da minha vida porque sou meio ‘metidona’, ‘eu me acho’”, diz, aos risos: “você se empina e vai.” Já passou por algumas situações constrangedoras, como ser confundida com uma atendente em meio a um serviço que estava executando, mas não deu muita atenção a isso. “Na verdade, o preconceito tem a ver com ignorância. Quanto menos informações e conhecimento uma pessoa tem, mais preconceituosa ela é’, acredita.

Que tal seguir os passos da Ana e apostar naquele seu sonho que está parado há algum tempo? Acredite em você e siga em frente!

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