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Alexandra Loras quer devolver a autoestima às mulheres negras

Alexandra Loras

Um cônsul representa oficialmente os interesses de um país estando fora dele e atuam, principalmente, na defesa dos direitos das pessoas de seu país. Esse foi o trabalho do francês Damien Loras durante 4 anos no Brasil. Casado com ele, Alexandra Loras, a jornalista e apresentadora de TV que ganhou o título de consulesa, veio também para o nosso país e está realizando um maravilhoso trabalho para empoderar mulheres negras como ela. As coisas andam tão bem para o lado dela, que o casal decidiu ficar em São Paulo (o marido se licenciou, ou seja, interrompeu a carreira diplomática).

Alexandra Loras sorrindo

Alexandra Loras. Foto: Reprodução/Facebook

Alexandra Loras chama muita atenção — e não é só pela sua beleza. A cada entrevista ou palestra que dá, suas ideias e reflexões mostram pontos de vista interessantes que rendem ótimos debates. O assunto que ela mais gosta de discutir é a situação das mulheres negras no mundo e, especialmente, em nosso país.

Alexandra disse que, na França, seu país de origem, nunca chegou a ter espaço para discutir esse tipo de assunto. “Quando trabalhei na TV francesa, meu sentimento foi sempre o de fazer a diferença e acabar com a invisibilidade dos negros na mídia. Mas lá eu nunca fui convidada para participar de discussões sobre a identidade negra francesa”, conta. Foi no Brasil que viu as portas serem abertas, em parte, graças ao título de consulesa.

Com um português impecável, Alexandra Loras não só fala de questões raciais que preocupam ela e milhões de negros em todo o mundo, como também contextualiza historicamente a situação. Ela dá um dado chocante: dos 50 países que já visitou e dos 5 em que eu morou (Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra, Espanha e México), o Brasil é um dos países mais preconceituosos que ela conheceu.

“Mesmo não tendo um racismo tipo apartheid oficial por aqui, há ambientes onde essas mulheres não vão porque não sentem que podem conquistar esses espaços. O negro foi condicionado a não se autorizar a fazer algumas coisas”, afirma.

Nos shoppings de luxo não tem uma placa ‘só para brancos’, mas mesmo assim muitas pessoas negras não conquistaram esses espaços. Superar a baixa autoestima é o maior desafio das mulheres negras.

Alexandra Loras sentiu o preconceito na pele

Alexandra já sofreu dezenas de situações preconceituosas na vida. Não foi diferente aqui no Brasil. Seu marido, o cônsul Damien Loras, é branco, com quem teve um filho que nasceu igualmente branco. Ao frequentar um clube paulistano da alta sociedade, perguntaram a ela por que motivo ela não estava vestindo branco. “Acharam que eu fosse babá do meu filho.”

Também já aconteceu de confundirem Alexandra com a empregada doméstica na casa onde moram aqui. “Quando estou na entrada da minha casa para receber convidados durante um evento, conforme o protocolo francês, muitas vezes brasileiros passam direto por mim achando que sou uma funcionária da casa”, relata. “Essas situações me deixam paralisada. Dói, mas eu tento sensibilizar as pessoas sobre o assunto nas minhas palestras e artigos. Você não pode ignorar uma coisa dessas nunca. Isso destrói nossa autoestima, nossa alma.”

Formada em Gestão de Mídias na escola de Ciências Políticas mais importante da França (Sciences Po), Alexandra sempre destaca o perigo de viver em “uma sociedade que só contou um lado da história, como se tudo de maravilhoso tivesse sido feito apenas pelos brancos”. Não à toa, ela exemplifica, que “85% das crianças negras de menos de 5 anos escolhem a boneca branca como a linda e a boazinha, e a boneca negra como feia e malvada”. Isso, definitivamente, não pode continuar assim. E ela está lutando contra essa corrente.

Trajetória de luta

Ainda que não tenha passado por dificuldades em sua vida, Alexandra relembra como foi difícil o processo para se sentir segura e confiante de sua força. Quando entrou na famosa universidade, uma voz interna perguntava se ela merecia mesmo estar ali. “Eu decidi ir lá e empurrar as portas. E as portas se abriram… Para mim, é uma história de superação, pois eu tinha muitos limites que me falavam: ‘ah, mas você não conhece ninguém lá, você não pode, você não é capaz…’”, relembra.

Mas a verdade é que cada um de nós é capaz, cada um de nós é cheio de talentos, cheio de potenciais enormes que precisam ser revelados.

Fluente em francês, português, alemão, inglês e espanhol, a consulesa, que também é jornalista, quer usar a comunicação para sensibilizar homens e mulheres em sua causa. Pretende usar o espaço que conquistou para devolver a todas essas mulheres a autoestima que a História levou embora.

“Ser mulher hoje é fantástico. Somos a primeira geração que pode ler, escrever, votar, trabalhar, nos casar e optar por não ter filhos. Podemos ir atrás do nossos sonhos, estudar, nos vestir como queremos, trabalhar onde queremos, e estamos começando a ter dignidade e poder econômico de maneira autônoma”, diz ela.

“Me sinto muito honrada em ser vista como uma inspiração para outras mulheres. Elas me inspiram também, somos espelhos e empoderar uma a outra me nutre a alma.”

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