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Estrelas Além do Tempo, um filme para se inspirar em mulheres negras

Estrelas Além do Tempo

De tempos em tempos, alguns termos se tornam mais comuns no nosso dia a dia. No cotidiano de mulheres que se interessam pelo feminismo, o conceito de representatividade tem se tornado não apenas parte do vocabulário, mas também uma bandeira: representatividade importa sim.

Se formos ao dicionário, vamos encontrar uma boa explicação para o termo: “representatividade significa representar com efetividade e qualidade o segmento ou o grupo o qual se faz representar”. Isto quer dizer que não existe melhor representante de uma mulher negra empreendedora do que uma mulher negra empreendedora de verdade.

Quando se trata de buscar histórias para se inspirar, a representatividade também importa, por isso que viemos aqui falar do filme “Estrelas Além do Tempo“. O filme se passa no auge da corrida espacial travada entre Estados Unidos e Rússia durante a Guerra Fria, e conta a história de uma equipe de cientistas da NASA, formada exclusivamente por mulheres negras, que provaram que inteligência nada tem a ver com raça ou gênero.

O drama biográfico, ou seja, inspirado em fatos reais, foi dirigido e escrito por Theodore Melfi, baseado no livro de Margot Lee Shetterly (em inglês, “Hidden Figures”), estrelado por Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe, Kevin Costner, Kirsten Dunst e Jim Parsons. A história dessas mulheres também aparece no livro da microbiologista Nathalia Holt sobre cientistas que foram deixadas de fora da história da exploração espacial dos EUA.

Segundo conta Nathalia no livro “The Rise of the Rocket Girls: The Women Who Propelled Us, from Missiles to the Moon to Mars“, ainda sem tradução para o português, tudo começou na década de 1940, quando o JPL (sigla de Jet Propulsion Laboratory), laboratório responsável pelo desenvolvimento e manuseamento de sondas espaciais não tripuladas da NASA, gerido pela Caltech, Instituto de Tecnologia da Califórnia, recrutou “computadores humanos“.

Curiosamente, segundo conta o site BrainPickings, esses “computadores humanos” eram mulheres com habilidades avançadas em matemática que passavam oito horas por dia fazendo cálculos à lápis para lançar o primeiro satélite americano no espaço ou dirigir as primeiras missões de exploração do Sistema Solar.

Aos poucos, porém, suas histórias começam a aparecer, seja em livros ou filmes. Isso porque além da distância dos holofotes, essas mulheres que trabalharam como “computadores humanos” para a NASA vivenciaram um conflito que se estende até hoje: como lidar com as ambições profissionais e as responsabilidades enquanto donas de casa e mães?

Nathalia lembra que nessa época elas eram chamadas de “queridas” por seus colegas do sexo masculino, que eram intitulados “engenheiros”, e que recebiam mais elogios por seus cortes de cabelo do que por seus cálculos.

Estrelas Além do Tempo

Foto: Divulgação

Esse capítulo dos “computadores humanos” na NASA — que na verdade eram mulheres boas de contas — tem um aspecto ainda mais interessante para a história da ciência espacial: várias delas eram também negras. Katherine Johnson (vivida por Taraji P. Henson no filme), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae) eram mulheres negras cujo trabalho foi crucial para o início da NASA, o Projeto Mercury e o desembarque do homem na Lua em 1969.

Assim como livro, o filme mostra que mesmo dentro da NASA elas tinham pouco reconhecimento. Segundo um texto do Jalopnik, elas foram segregadas por anos: até a década de 1950 alguns funcionários brancos afirmavam que nem sequer sabiam que os empregados negros estavam fazendo o mesmo trabalhos que eles, pois ficavam em outra parte do escritório.

O filme ilustra isso muito bem ao acompanhar a mudança de função de Katherine Johnson, que em 2015 foi premiada com a maior honraria civil dos EUA, a Medalha Presidencial da Liberdade pelo seu trabalho na NASA.

“Durante muito tempo, os afro-americanos não eram autorizados a ler e escrever. Esquecemo-nos, mas não foi há muito tempo. As mulheres foram impedidas de estudar em muitas faculdades. Se você não é capaz de ler e escrever então você não vai ser capaz de contar sua própria história. Não houve massa crítica de mulheres, minorias, seja qual for, e eu acho que isso é algo que está mudando agora”, disse a autora do livro, Margot Lee Shetterly, ao jornal The Guardian.

Agora, a história dessas mulheres negras começa a ser contada para que as próximas gerações possam não apenas conhecê-las, mas também se verem representadas e, quem sabe, ajudar o ser humano, e não apenas o homem, a explorar ainda mais o mundo ao seu redor e o espaço.

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