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Kathrine Switzer: a primeira mulher a participar de uma maratona

Kathrine Switzer

A participação de mulheres em maratonas é relativamente recente. Se você é hoje corredora e participa de várias competições, agradeça a Kathrine Switzer, a americana que resolveu se arriscar e desafiar a regra implícita de que apenas homens podiam correr em maratonas. Isso aconteceu em 1967, durante a Maratona de Boston. Katherine Switzer tinha apenas 20 anos e vinha treinado há alguns anos. Na inscrição da participação da prova, não havia especificação de sexo e ela acabou escrevendo, na sua ficha, K. V. Switzer. Ela não tinha exatamente medo de ser pega, mas sonhava em ser escritora e suas referências na literatura daquela época usavam as iniciais do nome, como J. D. Salinger, E. E. Cummings e T. S. Elliot.

No dia da prova, ventava e fazia muito frio. Mas nem por isso Kathrine Switzer desistiu. Os corredores concorrentes demonstravam apoio e felicidade ao vê-la ali. Mas isso não foi unanimidade. Um dos diretores da maratona, Jock Semple, ficou furioso ao vê-la. Quem chamou a atenção dele para isso foram os fotógrafos, que ficaram surpresos ao ver uma mulher no meio de tantos homens. “Tem uma garota na corrida!”, gritavam e a fotografavam. Segundo Katherine, ela não estava tentando se esconder. “Eu estava tão orgulhosa de mim mesma, que tinha passado até batom”, disse em uma das muitas entrevistas que deu.

Kathrine Switzer correndo

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Jock se enfureceu e começou a correr atrás dela, gritando “saia da minha prova e me dê esse número do seu peito!”. Kathrine sentiu medo, mas para sua sorte, o namorado Tom Miller, que pesava 115 kg, conseguiu empurrá-lo e abriu espaço para ela. Enquanto isso, Arnie Briggs, seu treinador, gritava: “Corra que nem uma louca!”. Acredite, se quiser: a presença de Kathrine Switzer não foi oficialmente registrada pela organização. Ela completou a prova em 4h20.

Kathrine Switzer abriu espaço para mulheres no esporte

Somente após cinco anos do feito de Kathrine Switzer, em 1972, as mulheres puderam fazer parte da maratona. “Eu tive sorte na vida. Minha família e Arnie sempre me disseram que eu podia fazer tudo que eu quisesse. Como mulher, nunca me resignei a brincar com bonecas ou ser uma líder de torcida apenas. Sim, eu brincava de bonecas e usava vestidos, mas também subia em árvores e praticava esportes. Depois da minha experiência em Boston, percebi que existem muitas mulheres no mundo crescendo sem esse suporte e sem a noção de que o céu é o único limite. Eu queria atingir essas mulheres e fazer algo para mudar a vida delas. Tudo que você precisa é a coragem de acreditar em si mesma e colocar um pé na frente do outro”, disse.

Kathrine correu, ao total, 35 maratonas, além de ter criado programas esportivos para mulheres em 27 países. Promoveu corridas e caminhadas femininas em várias partes do mundo e escreveu o livro “Mulher de Maratona”, que ainda não tem tradução para o português. Desde 2011, ela faz parte da calçada da fama das mulheres no Estados Unidos.

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