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Otília Arruda oferece companhia para idosos que desejam viajar

Otília Arruda

“Já fui bancária, representante comercial, agora sou empresária. Sempre fui muito agitada, cheia de energia e hoje tenho um projeto que está começando a sair do papel. Meu nome é Otília Arruda, tenho 61 anos, três filhos e posso dizer que a única coisa que eu não sou é uma aposentada sossegada.

Durante 25 anos, eu fui bancária. Por conta da profissão, morei em seis estados diferentes e sempre gostei de mudanças. Isso me ajudou a conhecer este Brasil gigante. Aposentei por tempo de serviço, mas com muita vontade de contribuir e fazer mais. Assim que minha aposentadoria saiu, fui convidada para assumir a vice-presidência da associação de aposentados de Belo Horizonte (MG), onde morava na época, e desenvolver projetos de integração. Um trabalho incrível que desempenhei por sete anos. Pude ver como isso é fundamental para o bem-estar deles. Vi gente rejuvenescer por fazer parte de um grupo, ter companhia para viajar. Ali começou a minha ideia de trabalhar com esse público.

Depois desse tempo em Belo Horizonte, meu marido e eu decidimos voltar para o Nordeste, onde havíamos vivido antes. Passamos uma temporada em Aracaju, onde comecei a trabalhar como representante comercial, vendia suplementos alimentares para pessoas que queriam emagrecer, viver melhor. Mudamos depois para Recife, onde estamos até hoje.

Em Recife, continuei com a minha representação comercial, mas já não estava tão animada como antes. Trabalhava muito, tinha poucas horas de sono, comecei a engordar, minha autoestima caiu. Decidi que era hora de parar… Só não queria ficar sem fazer nada.

Bom, foi aí que surgiu a Sol e Montes. Amo viajar, meu marido também. Somos meio nômades, sabe? Meu marido foi taxista por muitos e muitos anos, gosta de dirigir, e veio com a ideia de começarmos uma agência de viagens. Isso era 2012, compramos uma van, ele ficou responsável pelos traslados e eu pela parte comercial. Foi um sucesso só! Em dois anos, nosso investimento se pagou! A gente estava muito feliz, prestando serviço para grandes operadoras de turismo, fazendo traslado de aeroportos e para destinos turísticos também.

Daí chegamos ao final de 2014 e a crise bateu. A queda do movimento foi drástica, mas demoramos para perceber o que realmente estava acontecendo, porque justamente nessa época eu tive um câncer de medula. Fiquei de molho para me recuperar, meu marido passou a cuidar de mim o tempo todo. Cozinhava, cuidava de tudo. Eu já disse que não sou de ficar parada, mas não podia sair de casa. Tinha que ficar isolada, minha imunidade estava baixa demais. A empresa estagnou. E foi nesse momento que descobri a Escola Brilhante, um presente da vida.

Com essa crise toda em 2015 e sem poder sair de casa, fazer parte do círculo foi um divisor de águas para a gente. Me redescobri como empreendedora e aprendi a olhar a nossa agência com outros olhos. O grupo foi fundamental tanto no meu acolhimento como na transformação da Sol e Montes. Principalmente porque a gente se identificou desde o começo, o que fez com que a nossa troca de conhecimento fosse muito intensa, muito grande. Cada uma das mulheres, com a sua história, vivendo o mesmo momento de vida como empreendedora. Um grande aprendizado.

Foi depois dessa história que retomei a minha ideia de trabalhar com idosos. Nosso projeto é oferecer companhia para pessoas que querem muito viajar, viver experiências novas e ficam receosas porque não tem com quem dividir isso. Estamos no começo, mas já é um sonho realizado. Sei que a empresa vai andar e, aos poucos, as coisas estão voltando a acontecer. Isso é maravilhoso, porque eu estou diferente, vejo as coisas de outra forma. Estou muito feliz de ter tido a oportunidade de aprender tanto. E sigo aprendendo por aqui, sempre. Já temos até um site! E agora finalmente concordamos em atender também via WhatsApp. Me diz se não é transformador?”

*Em depoimento a Marina Malta.

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