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Mayara Duarte Calderone e a história de sucesso da Le Petit Poá

Mayara Duarte Calderone

Meu nome é Mayara Duarte Calderone, tenho 33 anos, moro em São Paulo e sou casada há 12 anos com o Claudimir, meu parceiro de vida. Nosso amor gerou duas sementinhas: o Bruno, de seis anos, e a Julia, de quatro anos.

Sempre fui uma pessoa independente. Mesmo vindo de uma família de classe média e não tendo necessidade de trabalhar tão cedo, aos 15 anos iniciei minha vida profissional, pois sempre tive vontade de ter minha própria renda. Infelizmente, não tive oportunidade de fazer uma faculdade. Porém, hoje vejo que nada é por acaso. Poderia estar formada em uma área que não seria o meu real desejo profissional.

Meu primeiro emprego foi em um call center. Dentro do que era possível, tive oportunidades de crescimento, pois sempre mergulhei de cabeça em tudo o que me propus a fazer. Me esforço e me dedico, independente de ser bom para mim ou não. E realmente, nem sempre era bom. Mas ainda sentia a necessidade de crescer, então resolvi procurar outras oportunidades para me desenvolver.

Saí do call center e fui trabalhar em uma corretora de seguros, onde teria oportunidades maiores. Trabalhei lá por quase sete anos. Foi uma experiência profissional e pessoal muito bacana, mas não tinha como crescer nessa empresa e não era reconhecida pelo trabalho que fazia.

Como mergulho de cabeça em tudo, trabalhava até às 22h, sem ganhar hora extra. Em novembro de 2009, meu marido precisou fazer uma cirurgia para a retirada de uma pedra no rim. Precisei de alguns dias para acompanhá-lo nesse processo e não recebi a compreensão que esperava. O que ouvi foi que havia enfermeiras no hospital para isso e eu precisava ir trabalhar.

Decidi me desligar da empresa. Não foi uma decisão fácil, pois como trabalhei desde os 15 anos, achava loucura me desligar sem ter outro trabalho. Mas não pensei duas vezes. Como nunca tirava férias, decidi que tiraria um tempo para me dedicar a mim, minha vida e minha saúde.

Eu era obesa e sempre tive dificuldade com o peso. Porém, já estava me sentindo depressiva por não me aceitar e me culpava por não conseguir realizar o sonho de ter um filho, que era meu e do meu marido. Passamos cinco anos tentando sem sucesso. Quando me desliguei da empresa, fiz gastroplastia. Foi minha melhor decisão, pois independente da aparência, o excesso de peso me trouxe vários problemas de saúde. Então quando estava bem feliz, comecei a me organizar para voltar ao mercado de trabalho. Em seguida, descobri que estava grávida. O sonho se tornou realidade!

Como essa gestação era muito desejada e meu filho nasceu muito pequenininho, resolvemos que eu ficaria com o bebê até que ele completasse um ano. Nesse tempo, cheguei a fazer alguns bicos, mas minha dedicação total era para o nosso filho.

Quando ele estava prestes a completar um ano, comecei a preparar sua festinha de aniversário. Eu queria fazer tudo do meu jeito e me programei para começar meses antes. Na época, as festas personalizadas não eram populares. Mesmo assim, fui fuçando aqui e ali, buscando informações, aprendendo um pouquinho e fiz a festinha dele toda sozinha. Fiz toda a parte de decoração e lembrancinhas.

Mayara Duarte Calderone

Foto: Arquivo Pessoal

Mesmo que tenha sido simples, foi uma festa muito bonita e chamou a atenção dos convidados. Durante o próprio evento, todos começaram a me incentivar a seguir nesse caminho profissional. Na semana seguinte, uma amiga me pediu para fazer lembrancinhas para a festa da filha. Eu resolvi encarar o desafio e comecei na área de personalizados. Assim, em outubro de 2012, nasceu a Le Petit Poá.

Sem muitos recursos, fazia tudo na mão e com a ajuda de furadores. Logo conheci a Silhouette, uma plotter (máquina) de corte doméstica que me abriria um mundo de possibilidades para trabalhar personalizados. A máquina não era tão popular no Brasil naquela época, o que encarecia seu preço. Mas em dois meses de trabalho já consegui comprá-la. Mergulhei de cabeça para aprender usá-la, pois haviam poucos recursos e informações sobre ela no país. Consegui me especializar e aprimorei meus trabalhos.

Mesmo assim, como era um negócio novo, senti a necessidade de ajudar mais efetivamente nas contas da casa. Eu, que sempre trabalhei fora e tinha salário fixo, me sentia insegura com a incerteza que é comum no começo de qualquer negócio próprio. Por isso, decidi voltar para a área de seguros e manter a minha empresa até que ela engrenasse e me desse mais estabilidade.

No começo de 2012 fui contratada para trabalhar em uma corretora de seguros. Eu me desdobrava para manter as duas empresas. Dormia duas horas por noite para dar conta de tudo. Voltando a trabalhar fora, veio também o dilema de deixar meu filho em uma escolinha.

Nos primeiros meses o deixei com a minha mãe enquanto buscava uma escolinha que me passasse segurança. Mas todos os dias que saia para trabalhar, algo me dizia que eu não continuaria lá. E nem queria. Infelizmente, não me adaptei à empresa devido a posturas que condeno.

mayara duarte calderone

Foto: Arquivo Pessoal

A empresa era familiar e havia um tratamento agressivo entre os integrantes. Imaginei que em pouco tempo isso se estenderia a mim e eu não me submeteria a isso. Um mês e meio depois de contratada, ainda no período de experiência, descobri que estava grávida novamente. Apesar do susto, sabia que era um novo propósito de Deus na minha vida.

Comuniquei à empresa e mesmo diante da situação, eles queriam que eu continuasse. Mas optei por sair. Passei a me dedicar à Le Petit Poá, que continuava crescendo muito.

Quando a Julia nasceu, tive certeza de ter feito a melhor escolha. Ainda sem muitos recursos, me esforçava para criar coisas diferentes e me destacar no mercado. Em março de 2014, recebi um convite da Serilon Crafts (maior distribuidora de Silhouette do Brasil) para fazer parte do seleto time de parceiras da empresa. Era uma oportunidade muito especial, pois estaria ligada a uma empresa muito conceituada na área. Isso me abriria espaço para divulgar meus trabalhos e criar tutoriais para os canais da empresa.

A partir dessa parceria tive muitas oportunidades. Pude conhecer muita gente bacana, participar de feiras e tive minha primeira experiência gravando um programa de artesanato: o “Ateliê na TV”. Depois também gravei para mais duas empresas parceiras: a “Lavoro Papéis” e a “Teckbond”. Mais pessoas me procuravam para ministrar cursos.

Sempre fui tímida e nunca me imaginei gravando ou ensinado alguém. Mas graças ao inventivo do meu marido e de pessoas que acompanhavam minha trajetória, venci o medo e comecei a dar aulas particulares de Silhouette em São Paulo. As coisas aconteceram naturalmente e sentia gratidão e satisfação enormes por poder fazer aquilo. Em maio de 2016, recebi o convite da eduK para ministrar um curso com eles. Foi mais um desafio, agora em ambiente macro. Mais uma vez venci e dei o curso. Logo depois vieram mais dois que também foram um sucesso.

Mayara Duarte Calderone

Foto: Arquivo Pessoal

Ainda em 2014, conheci uma pessoa que trabalhava com a mesma coisa que eu, mas morava do outro lado do país, a Maira Pereira. Ela foi uma das maiores incentivadoras da minha evolução profissional. Nossa amizade transcende qualquer questão profissional e hoje temos uma parceria. Mantemos um grupo de incentivo da Silhouette como negócio próprio e viajamos para outras cidades para ministrar cursos presenciais. Nos ajudamos e nos completamos muito.

Hoje, a minha empresa é familiar. Há um ano optamos pelo meu marido vir trabalhar na Le Petit Poá para que eu pudesse ter mais suporte e possibilidades de crescimento. Além disso, ele ajuda com as responsabilidades da nossa família, principalmente quando viajo ministrando cursos ou aulas particulares. Isso foi muito importante, pois o objetivo de estarmos próximos das crianças se distanciava com a evolução do meu trabalho.

Trabalhando juntos, podemos dar mais atenção aos nossos filhos e conseguimos transmitir a eles a importância do trabalho em família e da divisão de tarefas. Além disso, mostramos que a união e o amor vencem todos obstáculos.

É fácil? Nunca será. Mas pensando bem, o que é fácil nesta vida? Enfrentar chefe, trabalhar até altas horas sem ganhar hora extra e ainda aguentar cara feia se no dia seguinte você se atrasar 10 minutos… isso é fácil? Também não é! Tudo é questão de opção. Todos passamos por problemas e provações diárias. O importante é buscar aquilo que nos faz felizes.

Nada foi fácil para mim, mas foi natural. Tudo aconteceu de forma despretensiosa e cada conquista é um enorme prazer, pois sei que é resultado de uma batalha que trilhei. Hoje, meu maior prazer é ver meus alunos trilhando caminhos semelhantes ao que percorri. Muitas pessoas mudam de vida pela oportunidade de empreender e fazer o que amam. Poder fazer parte da vida delas é gratificante.

Me sinto privilegiada por fazer o que amo e ainda poder dividir meus conhecimentos com os outro. Também sou muito afortunada por ter a oportunidade de trabalhar com a minha família, por ter parceiros excelentes e por ter alunos excepcionais, que muitas vezes me proporcionam mais conhecimento do que tenho a oferecer. Na vida, estamos em eterno aprendizado e crescimento. Basta nos abrirmos para as oportunidades e acreditar no nosso potencial.”

*Em depoimento a Camila Luz.

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