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Marcele Porto abriu um hostel para trazer o mundo até o Rio de Janeiro

Marcele Porto

“Meu nome é Marcele Porto, tenho 35 anos, nasci em Duque de Caxias, na baixada fluminense, mas vivi a maior parte do tempo no Catumbi, região central do Rio de Janeiro. 

Venho de uma família muito humilde que veio do Nordeste e começou a vida no morro Dona Marta, comunidade da zona sul do Rio de Janeiro. Meus pais se casaram muito jovens, minha mãe com 17 anos e meu pai com 20, e foram para baixada viver o sonho da casa própria. Em uma decisão corajosa resolveram apostar em outro sonho: a minha educação. Deixaram a casa própria para viver de aluguel no centro e possibilitar que eu estudasse em  uma das melhores escolas públicas do Brasil. 

Cresci ouvindo meu pai contar essa história e dizer que eu seria a primeira da família a cursar uma faculdade pública. Mas o caminho foi um pouco diferente. Eu não atendi essa expectativa, mas espero ter construído um caminho que honre a decisão que eles tomaram de investir nos meus estudos.

No final do ensino médio resolvi trabalhar no período extra-natal e me encantei com as metas semanais de vendas. Comecei como caixa e logo fui promovida a vendedora. Passei cinco anos nessa atividade e longe das cadeiras da faculdade. 

Aos 23 anos me dei conta de que precisava cursar uma faculdade. Escolhi o curso de administração, que pagava com o seguro desemprego. Sabia que ainda no primeiro semestre precisaria de um estágio que me possibilitasse pagar a mensalidade. Eu não achava justo pegar dinheiro com meu pai. Nessa época, ele trabalhava como garçom e minha mãe era dona de casa. A grana era muito curta e eu ia e voltava caminhando muitas vezes para economizar a passagem de ônibus. Aproveito essa lembrança para agradecer imensamente aos meus tios Glória Porto e Fernando Viana pela ajuda financeira que sempre me deram nessa época. 

Conforme o planejado consegui um estágio ainda no primeiro semestre na área de telemarketing. Eu não gostava, mas foi excelente para que eu tivesse contato com o computador. Pouco tempo depois passei em um grande processo seletivo para estagiar em uma das melhores instituições de ensino superior do Brasil. 

Me tornei funcionária dessa instituição depois de quase dois anos como estagiária. A estrada foi longa mas a escola foi maravilhosa! Depois de um ano de formada, recebi bolsa integral para fazer MBA em gestão financeira, controladoria e auditoria nessa universidade. Na mesma época, passei em um processo seletivo para trabalhar como consultora de projeto em uma empresa especializada em soluções fiscais. Durante os cinco anos seguintes, atendi grandes empresas, como Leader Magazine, Chevron e Queiroz Galvão.

Em 2013, estava com 30 anos e nas minhas primeiras férias como consultora, resolvi fazer um intercâmbio na África do Sul. Isso mudou minha vida. Além das aulas de inglês, também participei como voluntária em um projeto alemão para crianças africanas. Eu já tinha visitado Nova York, mas vivenciar outra cultura por um tempo maior me despertou a vontade de morar fora.

Voltei ao Brasil decidida a sair do país. Mas durante um café com um amigo, ele me perguntou: “Por que você não traz a cultura de outros países até você? ”.

Então tive a ideia de abrir um hostel. Sempre fui apaixonada por turismo, mas achava que precisava cursar um curso superior para ganhar bem e garantir minha aposentadoria. Quando chegasse lá, teria renda para abrir um empreendimento.

Naquela época, eu tinha a ideia, mas não tinha o dinheiro. Então uma oportunidade surgiu: com a Copa do Mundo se aproximando, muitos estrangeiros precisariam de hospedagem no Rio de Janeiro, e a oferta era menor do que a demanda. Eu e quatro amigos nos unimos e montamos o “Beers Five Hostel”, focado na temática da cerveja, muito forte até hoje.

Marcele Porto

Foto: Arquivo Pessoal

No início, eu tinha apenas 10% de participação no Hostel. Fiquei responsável por comprar os móveis e parcelei os custos no cartão de crédito. Hoje, tenho apenas um sócio e 70% de participação. O caminho para esse crescimento foi longo e cheio de dificuldades – inclusive resultando no fim de algumas amizades.

Nos primeiros dois anos, me dividi entre tocar o negócio e trabalhar na consultoria. Em 2015, com a chegada da crise econômica, fui demitida e passei a me dedicar totalmente ao empreendedorismo.

Fui demitida duas semanas antes do meu casamento. Quando voltei da lua de mel, percebi que estava sem rumo. Decidimos, eu e meu marido, viajar para Buenos Aires, onde nos hospedamos em dois tipos diferentes de hostel: um moderno e com muitos funcionários e outro onde o dono morava no próprio empreendimento. Fizemos algumas pesquisas e voltamos cheios de motivação.

Desde então, implantamos constantes processos de melhoria. Adotamos o conceito de “Guest House”, no qual os proprietários se tornam os anfitriões para reduzir os custos. Hoje usamos o nome “Beers Five Hostel House” e estamos entre os 15 melhores do Rio de Janeiro de 750 mais bem avaliados no Tripadvisor.

Marcele Porto

Foto: Arquivo Pessoal

Com muito orgulho, em 27 de abril, um dia antes de completar 35 anos, recebi o primeiro lugar da categoria atuante do Prêmio Citi Jovem Microempreender. Agradeço à Aliança Empreendedora e aos seus parceiros por me proporcionar uma semana tão rica e cheia de conhecimento.

Em março deste ano criei o JuntasSomos+, que promove encontros para mulheres no quintal do hostel. Diferente dos modelos tradicionais de workshops e palestras, a ideia é que a participante esteja integralmente presente no tema proposto para discussão.

Em maio fui nomeada Embaixadora da Escola de Você no Rio de Janeiro e fui convidada para ser palestrante voluntária na Rede Asplande, uma ONG voltada para mulheres empreendedoras de baixa renda. Além disso, no dia 12 de setembro, darei uma palestra no Social Media Week São Paulo, o maior evento de mídias sociais da América Latina.

Por fim, sou co-autora do livro “Estratégias de Vencedores”, lançado no dia 27 de julho. Participo da obra de autoajuda escrevendo sobre decisões e novos hábitos. 

Meu principal objetivo é estimular a troca de conhecimento sobre empreendedorismo e transmitir tudo que sei. Quero apoiar e incentivar o desenvolvimento de pessoas na abertura de empresas. Afinal, todos podem empreender!”

*Em depoimento a Camila Luz

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