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Lídia Moura deixou de ser professora para trabalhar com costura

Lídia Moura

Meu nome é Lídia Moura, tenho 33 anos, sou de São Bernardo do Campo (SP) e sou dona da Dia com Lua. Quando me perguntam como é ser empreendedora e qual foi minha trajetória, conto que na faculdade já vendia artesanato em feltro e meia de seda para ajudar a pagar algumas coisas, como a xerox dos textos.

Como fiz licenciatura e bacharelado em história, tentei ser professora, mas há anos as políticas de educação só pioram. Infelizmente, ser professor neste país é pedir para cair doente em uma cama com depressão, estafa mental, contas sempre em atraso e sérios riscos de sofrer violência física.

Larguei tudo e aprendi a costurar. Quando o bichinho da costura nos pica, não tem mais volta. É um bom vício. Foi nessa época que o empreendedorismo entrou na minha vida. Como é ser sua própria chefe e fazer os próprios horários? Como lidar com isso?

Sem dúvidas, fazer seu próprio horário traz alívio: não ter mais que correr atrás do ônibus lotado logo às 5h ou 6h da manhã, não ter que aguentar gritos de chefes desrespeitosos e voltar no mesmo ônibus lotado às 18h, em pé, cansada e espremida.

Trabalhar por conta própria tem seus benefícios. Sempre que desanimo, minhas amigas que continuam professoras, aos trancos e barrancos, me lembram de tudo aquilo e acabo me sentindo melhor.

Mas o ponto principal é: O que é ser empreendedora? O que fazem? Onde moram? Como vivem? Brincadeiras à parte, não gosto de dizer que sou “empreendedora”. Sou uma trabalhadora como outra qualquer. Temos que ter organização e disciplina com o dinheiro que chega e vai embora; horários bem definidos para as tarefas; atender clientes chatos e legais e por aí vai.

Lídia Moura

Foto: Arquivo Pessoal

Eu costuro bolsas, acessórios e roupas com retalhos de tapeçaria e tecidos automotivos. Através da Aliança Empreendedora, consegui os tecidos pela Fundação Volkswagen. Além disso, vou nas tapeçarias e pego os retalhos. Tudo é doado, compro apenas os aviamentos.

Hoje faço tudo sozinha e trabalho em casa. Vendo pela internet, participo de bazares ou vendo nos serviços de amigas. Também trabalho com coletivos de teatro, fazendo a iluminação e figurino.

Um dos meus objetivos é conseguir renda suficiente para alugar um espaço comercial e tornar meu trabalho mais profissional. Trabalhar em casa é mais barato, mas não é ideal. Moro com meu companheiro em uma kitnet e faço tudo em um espaço muito pequeno. Quando fui buscar o valor para alugar uma sala, fiquei espantada, pois os preços são exorbitantes. Nem o Banco do Povo, que disponibiliza dinheiro para empreendedoras, ajuda com o aluguel. Apenas com a pintura do espaço, parte elétrica, compra de maquinário e outras questões estruturais.

O empreendedorismo também tem outro lado. Se somos mães, continuamos sem creches para nossos filhos, nos obrigando a fazer malabarismo entre trabalho e cuidados com os pequenos. Nossos maridos, muitas vezes, passam a nos ver apenas como donas de casa. Já que não trabalhamos fora, podemos trabalhar, cuidar da casa, levar o filho para escola, fazer comida. Com o acúmulo de tarefas o sono entra para a lista: são várias noites sem dormir e sem férias remuneradas para complementar.

Lídia Moura

Foto: Arquivo Pessoal

Mas continuamos trabalhadoras sim e com muito orgulho! Isso me faz lutar pelas leis trabalhistas que estão sendo apagadas dia a dia. Temos que lutar pelos direitos de quem passa a trabalhar por conta própria para que respeitem nossas vidas como mães, trabalhadoras e mulheres. Pois sem perceber, podemos esquecer de nós mesmas.

A responsabilidade pelos cuidados dos filhos e da casa são de todos, não somente das mulheres. Quando o dinheiro não entra e atrasamos o pagamento do MEI, corremos o risco de perder nossos direitos. Ainda temos falta de outros direitos, como creche para os filhos e sistema de saúde de qualidade. Afinal, fora da CLT, não temos mais direito a plano de saúde particular.

Não faço dessa reflexão uma derrota, muito pelo contrário! Faço um chamado para a luta. Se nós, trabalhadoras, não lutarmos, nossa situação não irá melhorar. Acredito que mesmo trabalhando por conta própria devemos cobrar nossos direitos. Vamos nos orgulhar de quem somos para, finalmente, brilharmos de verdade!

*em depoimento a Camila Luz.

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