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Jordânia Pereira da Silva transformou madeira em uma Cooperativa

Jordânia Pereira da Silva

Meu  nome é Jordânia Pereira da Silva, tenho 50 anos e sou natural de Barra do Rocha, interior da Bahia. Nasci em uma família com oito irmãos e pais trabalhadores rurais. Comecei a trabalhar aos oito anos de idade.

Aos onze saí de casa e parei de estudar para trabalhar como babá em Salvador na casa de uma família. Aos 14 anos já morava sozinha. Aos 23 me tornei mãe e logo me vi sozinha com uma filha para criar. Aos 24 vim para São Paulo e três anos e meio depois tive meu segundo filho.

Trabalhei como ajudante de pedreiro e feirante. Era mãe solteira e tinha a responsabilidade de pagar aluguel. Me casei e tive mais uma filha. Com três filhos pequenos parei de trabalhar fora e comecei a lavar roupas, tapetes, cortinas e endredons. Também engomava camisas e toalhas. Passei três anos lavando roupa em casa. Meu marido não trabalhava e era eu quem ganhava o sustento da família.

Até que um dia fiquei doente, com tendinite no braço, e precisei ficar três meses sem trabalhar, vivendo da ajuda de um vizinho, parentes e dos irmãos da igreja. Graças a Deus não faltava nada na minha casa.

Jordânia Pereira da Silva

Foto: Arquivo Pessoal

Quando eu lavava roupa, apareciam umas fuligens que sujavam as peças e isso me deixava brava. Essa fuligem vinha de pallets de madeira que eram queimados na divisa de Barueri com Jandira. Fui ver onde queimavam a madeira e percebi que ela poderia ser reaproveitada.

Quando criança, meus pais falavam que tínhamos que respeitar nossa terra e cuidar dela, pois é da terra que vem nossa comida. Então tive a ideia de usar aquela madeira para ganhar dinheiro e ajudar outras pessoas.

Melhorei de saúde e precisava voltar a trabalhar urgente, mas não podia mais lavar roupa. Comecei a trazer a madeira dos pallets para casa. No dia 26 de agosto de 2000, depois de várias reuniões, comecei a fazer caixas de madeira para o vizinho que trabalhava com decoração de festas. Usava uma serrinha tico tico, uma de serrar cano e chamava os vizinhos para ajudar.

Deus colocou uma ideia na minha cabeça: a ideia de fundar uma cooperativa. Fui saber mais sobre como concretizá-la. Meu marido não fazia nada para mudar a situação. Eu falo que sou viúva de marido vivo! Também não tinha ferramentas e o espaço do meu quintal era pequeno. Mas eu falava: um dia vamos fazer uma parceria com a prefeitura e tudo vai mudar.

Consegui sair do quintal de casa e já tinha oito pessoas trabalhando comigo em um terreno doado pela minha vizinha. Hoje, a filha dela é a presidente da cooperativa. Depois de cinco anos trabalhando com ferramentas doadas pelos moradores do bairro, como martelos e pregos, montamos uma máquina de corte e uma lixadeira.

Fiquei sabendo que a primeira dama de Barueri estava fazendo projetos com as comunidades pobres da cidade. Certo dia, estávamos trabalhando com um carrinho no centro. Vendíamos as peças de madeira, como banquinhos e cadeiras. Resolvi entrar no prédio chique e falar com a primeira dama. Falei com a secretária e deixei meu endereço, pois não tinha telefone.

Uma semana depois, o carro da prefeitura começou a me procurar e a vizinha me deu o recado. Assim como a primeira dama, eu tinha pouco tempo em casa. Precisamos achar tempo nas nossas agendas! Eu trabalhava vendendo os produtos de madeira nas ruas com um carrinho de mão.

Em 2005 foi quando tudo mudou. Falamos com a Dona Sonia Furlan (primeira dama de Barueri na época) e fizemos a tão sonhada parceria. Logo depois fizemos outra parceria, dessa vez com a  Fundação Alphaville.

Em 2006, a prefeitura doou um galpão com vários banheiros, vestiário, cozinha e escritório. Tudo lindo, tudo grande. A Fundação Alphaville deu o apoio técnico para capacitar o grupo em cooperativismo e apoiar a legalização da atividade. Criamos o CNPJ da Cooperativa Unindo Forças naquele ano.

Jordânia Pereira da Silva

Objetos produzidos pela Cooperativa Unindo Forças.
Foto: Arquivo Pessoal

O projeto inclui pessoas das mais variadas idades e mulheres semi-analfabetas, como eu. Fazemos cursos sobre marcenaria, gestão e meio ambiente. Fui presidente duas vezes e hoje sou diretora financeira. Em 2010, nosso projeto foi aprovado na Aliança Empreendedora. Fiz curso de computação, compramos máquinas e melhoramos a vida de muita gente.

Em 2011 começamos a vender nossos produtos para empresas como a Tok&Stok, que compra mais de duas mil peças por mês. Também temos clientes na comunidades e fazemos oficinas para apresentar nosso trabalho.

Hoje, meus quatro filhos são casados e meus netos estão fazendo faculdade. Estou no segundo semestre de serviço social na Faculdade Estácio de Sá, em Osasco. Dou palestras sobre geração de renda e reciclagem de madeira, mas também sobre empoderamento da mulher e empreendedorismo feminino. Estou aprendendo mais a cada dia. Mas sou marceneira e amo meu trabalho.

*Em depoimento a Camila Luz

 

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