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Geisa Batista se inspirou em uma parábola para abrir um brechó

Geisa Batista

Meu nome é Geisa Batista, tenho 35 anos, moro em São Paulo e sou dona do brechó Gege 28Quando estava no último ano de faculdade, fiquei grávida do Enzo. Cursava recursos humanos e trabalhava em uma empresa na área de departamento pessoal. Quando voltei da licença-maternidade, percebi que o meu salário equivaleria ao custo da escolinha. Na época namorava o pai do meu filho, mas cada um vivia na sua casa. Resolvemos que eu ficaria com o bebê e ele pagaria o aluguel. Fiz um acordo com a empresa e fui demitida.

Geisa Batista

Foto: Arquivo Pessoal

Quando me separei do pai do Enzo, ele continuou custeando o aluguel e eu me virava com o resto. Sempre fiz muitos bicos: trabalhava em eventos e revendia roupas em sites como Olx e Enjoei. Assim ia me virando.

Até que um belo dia recebi um email do pai do Enzo dizendo que eu deveria sair do apartamento em um mês. Fui obrigada a voltar para a casa da minha mãe a contragosto. Eu não tive pai e minha mãe sempre foi muito ausente. Quando eu tinha 11 anos, ela foi diagnosticada com transtorno bipolar. Sempre tivemos uma relação muito ruim e eu já morava fora de casa desde os 21 anos.

Passei três meses na casa dela e foi um inferno. Fiquei com sintomas de depressão e transtorno de ansiedade. Virei um verdadeiro trem desgovernado. Então vendi meu carro e aluguei um quartinho em cima da casa de uma senhora. Não tinha fogão, geladeira ou móvel algum.

Foi nessa época que surgiu a ideia do brechó.  Eu não arrumava emprego, mas tinha muita fé. Li uma passagem da bíblia que contava a história de uma mulher cujo marido faleceu e ela seria obrigada a vender os filhos para pagar as dívidas do homem. Então Jesus disse que ela deveria juntar todas as vasilhas que tinha em casa, pois o Senhor iria enchê-las com azeite para pagar a dívida.

Fiquei com aquela história na cabeça. Precisava fazer alguma coisa com o que tinha em casa, pois queria ficar perto do meu filho. Estar presente é muito importante para mim. Certo dia minha ex-sogra me ligou e disse que tinha vários vestidos sem uso e que eu poderia vendê-los. Quando vi todas aquelas roupas, percebi que deveria abrir um brechó.

A casa onde eu morava tinha uma garagem desocupada. Conversei com a dona da casa, que permitiu que eu usasse o espaço. Peguei araras e cabides e montei um bazar de fim de semana. Comecei a conversar com algumas amigas e elas me doavam as coisas. Eu higienizava e fazia tudo com muito cuidado.

Mas dois meses depois, a dona da casa, que não é boba, me mandou desocupar o quarto. Inventou uma história sem pé nem cabeça e novamente me vi sem ter pra onde ir com meu filho.  A senhora também tinha transtorno bipolar e logo depois da mudança fiquei sabendo que ela havia aberto um brechó na garagem.

Geisa Batista

Foto: Arquivo Pessoal

Voltei novamente para a casa da minha mãe. Como vi que o brechó estava dando certo, pensei em alugar um espaço. A casa ao lado estava para vender há quatro anos. Eram quatro herdeiros e nenhum deles utilizava o local. Mandei mensagem perguntando se poderia alugar a garagem e a princípio recebi um não. Insisti muito e certo dia eles toparam. Lá fui eu com a minha arara e meia dúzia de roupas começar tudo de novo. As pessoas me perguntavam o que era aquilo e eu dizia: “não parece, mas é um brechó”.

Revertia todo o dinheiro da venda em araras e novas peças. O meu diferencial é que as pessoas entram no brechó, encontram roupas bacanas e se sentem como se estivessem em uma loja. Como já trabalhei em loja por muito tempo, sei como organizar. Separo os cabides por cor, as etiquetas sempre estão no mesmo lugar da peça, tudo é bem organizado. Todo cliente que entra me indica para outras pessoas.

Geisa Batista

Foto: Arquivo Pessoal

Infelizmente, vivo na instabilidade de ter que deixar o espaço quando a casa for vendida. Mas se for preciso, vou procurar outro lugar e continuar o brechó, pois meu negócio está dando certo. Hoje ganho o suficiente para bancar todas as contas e comprar comida. Também fiz um plano de negócios de três meses: todo o dinheiro que sobrasse seria usado para investir. A partir de agora, vou começar a guardar a renda sobressalente.

Meu objetivo é alugar uma casa para mim e meu filho onde terei o brechó e investirei em outro projeto: uma tarde de troca de brinquedos entre criança. Hoje pratico o desapego com o Enzo. Quando ele quer algo novo, nós vendemos alguns brinquedos velhos e guardamos o dinheiro em um cofrinho para que ele possa comprar o que deseja.

Sinto que preciso aprender a precificar melhor meus produtos e a cuidar do financeiro da empresa. Sei que ainda tenho muito a crescer. Mas tudo está dando certo.

Em depoimento à Camila Luz.

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