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Gabriela Santos equilibra o trabalho na área de finanças com sua doceria

Gabriela Santos

“Não sei bem se eu planejo muito meu futuro profissional. Geralmente eu sonho chegar em algum lugar e batalho para que isso aconteça. Sempre me dediquei muito ao trabalho e sempre o farei. Apesar de empreender ainda não ser um modo de sustento para mim, há anos faz parte do meu caminho. Me chamo Gabriela Santos e a Sucre Vie é uma das paixões da minha vida.

Desde sempre, empreender fez parte da minha trajetória. Comecei vendendo cosméticos, levava catálogos para minhas professoras quando tinha uns 12 ou 13 anos. Meus pais não tinham condições de comprar tudo o que eu queria e vender os cosméticos para minha tia foi uma oportunidade que encontrei para comprar as coisas que eu queria. Minha maior influência sempre foi minha mãe, que apesar de ter parado de trabalhar formalmente quando eu nasci para cuidar de mim e da minha irmã gêmea, sempre deu um jeito de fazer algo para ter o seu dinheiro e ajudar nas despesas da casa. Já vendeu sorvete, fez comida para fora, pintou panos de prato, fez crochê, tricô, bordado, de tudo um pouco. E isso sempre me mostrou que quando queremos conseguimos de alguma forma garantir o nosso dinheirinho.

A minha história com os brigadeiros começou em 2012, na Bienal do Livro. Depois de passar pelos estandes escolhendo os livros que queria (comprei 13 só naquele passeio), cheguei em casa e percebi que havia esquecido justamente o livro dos brigadeiros gourmet. Dois dias depois, minha irmã foi à Bienal com uma amiga e comprou o livro para mim. Comecei a desvendar esse mundo doce, a testar receitas e desenvolver sabores que agradavam meu paladar. No Natal, resolvi presentear algumas pessoas com os meus brigadeiros.

brigadeiros com morango dentro

Foto: Arquivo Pessoal

Um amigo que acredita muito no empreendedorismo, Arthur Vilas Boas, perguntou se eu não gostaria de vender os brigadeiros nas aulas de dança que fazíamos juntos (ele era o professor) e foi assim que tudo começou. Em janeiro de 2013, a Sucre Vie Doceria ganhou vida. O logo foi desenvolvido por uma amiga do Pé Descalço (nosso grupo de Forró) e a caixinha também. Ganhei o site de aniversário de outra amiga, porém depois acabei preferindo administrar uma página no Facebook mesmo, porque a maioria das pessoas que conheço me contata por lá.

Empreender me ajuda a realizar sonhos, porque o dinheiro que vem desse trabalho extra paga os ingredientes para testar receitas, além de servir para pagar contas em restaurantes, viagens ou qualquer outra coisa que possa parecer cara quando penso em usar o meu salário. Se tiver caixa na Sucre Vie, posso arcar com esse custo/investimento e, sem peso na consciência, me dar mais um sonho de presente. É o que me dá liberdade para trabalhar em paz no que eu quiser, porque apesar de não tirar o sustento da minha família da doceria, sinto que posso trabalhar por gostar do trabalho e não por precisar do salário.

Durante mais de um ano, fiquei sem trabalhar para me dedicar ao plano de trabalhar com finanças. Nesse período, foi o dinheiro da Sucre Vie que pagou nossas despesas com os alimentos de casa. Meu namorado pagava o aluguel e as despesas fixas com o trabalho dele e eu administrava a cozinha, também uma paixão, garantindo que o dinheiro desse.

Se eu tenho planos para viver dessa renda? Ainda não. Não porque eu não ache digno ou não ame o que eu faço, pelo contrário, comida é minha vida. Hoje quero ‘dar certo’ na área financeira, que escolhi trabalhar. Gosto do que faço, acho que o dinheiro tem sim que trabalhar a nosso favor e poupar tem que passar a ser parte da nossa cultura.

Meu empenho também tem a ver com o fato de que quero ser uma mulher negra a chegar lá. Na minha sala de pós-graduação eu era a única negra. É preciso, independentemente de tudo, querer muito algo e estar disposto a abrir mão de algumas coisas para plantar o que queremos colher. Talvez no dia em que chegar onde pretendo e conseguir o reconhecimento que almejo, os planos mudem e, quem sabe, viver de empreendedorismo seja o próximo passo. Talvez com filhos eu prefira trabalhar de casa e o empreendedorismo possa fazer mais sentido do que a área de finanças. Sinceramente, ainda não sei.

Só sei que se um dia eu não estiver feliz com o emprego, posso investir nos meus doces e não vou precisar manter um trabalho por não ter outra opção. Essa liberdade só empreender nos garante.”

*Em depoimento a Marina Malta.

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