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Djenane Martins e o trabalho em rede da Charlotte Arte em Costura

Djenane Martins

Meu nome é Djenane Martins, tenho 44 anos e sou de São Bernardo do Campo.  

Há uns 15 anos, fiz um curso de costura só para ocupar o tempo. Minha irmã trabalhava em uma empresa que fabrica banco de carros e pediu demissão. Depois de um tempo, começou a costurar com a nossa vizinha e, um dia, levou umas blusinhas para eu colocar a alça. A partir daí, tomei gosto pela costura.

Na época eu tinha obesidade mórbida e cheguei a pesar 150 kg. Em 2009, fiz uma cirurgia bariátrica — mesmo ano que em foi fundada a Charlotte Arte em Costura. Fundei a empresa junto com três amigas: Eliane, Terezinha e Maria. 

No começo só queríamos ter um trabalho e ganhar uma graninha. Trabalhávamos com facção, quando as peças já vêm cortadas e só necessitam de montagem. Mas como o valor pago por peça costuma ser muito baixo, tínhamos que trabalhar muito para ter algum dinheiro. 

Em 2010, recebemos uma proposta para trabalhar com brindes sustentáveis. Os materiais seriam banners de propaganda e caixas de leite e suco longa vida. Topamos o desafio e lá fomos nós tentar lançar algo novo no mercado. As sacolas plásticas estavam para sair de circulação, mas como isso não aconteceu, as ecobags começaram a ser distribuídas em eventos com brindes dentro.

Recebemos a primeira encomenda: 30 sacolas. Foi uma festa na Charlotte. Quase soltamos fogos de artifício de tanta felicidade. Quem diria que hoje produziríamos até 2.000 peças e trabalharíamos com mais de 30 produtos, como ecobags, estojos, valises de viagens e organizadores.

A partir daí, a Charlotte começou a ganhar reconhecimento e conseguimos chegar nas grandes empresas. Hoje, temos algumas companhias fidelizadas e trabalhamos com logística reversa de uniformes e resíduos automotivos.

A Charlotte completa oito anos em outubro. Somos consideradas um case de sucesso. Temos muito parceiros, como Aliança Empreendedora, Rede Asta, Fundação Volkswagen, UnisolSP/Brasil e muitos outros. 

Me descobri empreendedora e hoje cuido da parte de vendas, mas continuo costurando. Como não conseguimos aumentar o grupo de costureiras, achamos uma solução para pedidos grandes e hoje trabalhamos em rede. Eu fecho a venda e repasso o pedido para outros grupos de costura, assim não perdemos o cliente e ainda geramos uma renda para essas pessoas. 

Empreender me mostrou que sou capaz de fazer coisas jamais imagináveis. Saí do ostracismo para uma vida onde meu trabalho é reconhecido. Ao invés de ficar assistindo TV o dia todo, tenho tantos compromisso que penso: “caraca, tinha um mundo de oportunidades na minha frente e não enxergava”.

Nada disso teria sentido se não fosse pelas minhas queridas amigas e sócias Eliane, Terezinha e Maria. Como eu, elas nunca desistiram de sonhar, mesmo quando saíamos de casa sem saber se teríamos um pró-labore no final do mês. A alegria nunca nos deixou pensar em desistir. 

Estamos colhendo os frutos do nosso sonho e hoje a Charlotte é reconhecida como um negócio social. E que venham muitos anos de trabalho, pois como dizem, o trabalho dignifica os homens. No nosso caso, as mulheres.

*Em depoimento a Camila Luz.

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