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Cinara Costa encontrou um diferencial na lavagem a seco de carros

cinara costa

Meu nome é Cinara Antunes Costa, tenho 44 anos e sou de Salvador, Bahia. Sou formada em administração e trabalhava na área de turismo. Me formei com 20 e poucos anos, mas desde cedo gostei de trabalhar e ter meu próprio dinheiro.

Sempre tive vontade de ter meu próprio negócio pela insatisfação com a rotina de trabalhar para os outros. Apesar de ter escolhido administração na faculdade, sempre gostei de lidar com gente e de trabalhar com gestão. Então comecei a fazer artesanato como um hobby. Em paralelo, comecei a vender o que produzia e me formalizei como artesã.

Aqui em Salvador, o artesanato não tem tanta visibilidade quanto no Sul e Sudeste. Tem muita gente fazendo, mas o mercado não dá o devido valor para quem vive disso. Além disso, fazer artesanato é como uma terapia para mim. Ganhar dinheiro com isso acabava me estressando.

O empreendedorismo finalmente entrou na minha vida por necessidade. Quando minha mãe faleceu eu tinha 33 anos e uma filha para criar. Mais tarde, em 2009, eu e meu atual marido perdemos nossos pais no mesmo ano. As duas perdas foram um baque para nós. Além da ausência, meu pai ajudava financeiramente, pois tinha uma aposentadoria.

As coisas foram ficando mais difíceis e, quando a minha segunda filha nasceu, estava em um trabalho fixo em uma empresa. Tive quatro meses de licença-maternidade e depois voltei ao trabalho. Como não tinha com quem deixar, precisei colocá-la ainda novinha em uma creche, o que me deixou muito chateada.

Um ano depois, fui demitida do emprego fixo. Para ganhar um dinheirinho, dava aulas para jovens aprendizes em uma ONG em Salvador. No entanto, o serviço era irregular e eu sabia que precisava de outra fonte de renda. Havia chegado a hora de criar meu próprio negócio. Mas para isso, precisava ter uma boa ideia.

Aos domingos, assistia ao programa “Pequenas Empresas, Grandes Negócios” na TV. Um belo dia vi uma reportagem sobre lavagem a seco de carros. Era época da crise de falta de água em São Paulo – crise que já está chegando em Salvador. Achei a ideia bacana e o custo barato, já que para começar bastava comprar o kit inicial.

Cinara Costa

Foto: Arquivo Pessoal

Pensei que poderia colocar minha filha mais nova na escola só por meio período e fazer meus próprios horários. Poderia começar vendendo o serviço para vizinhos e estar mais presente. Tudo em prol da família.

Peguei um empréstimo com o meu tio para comprar os produtos e comecei a fazer testes no carro dele e no da minha prima. Também comprei um aspirador de pó portátil e um carrinho de feira para carregar todos os equipamentos e comecei a expandir a clientela. Assim nasceu a Eco Beauty Car. Fiz página no Facebook, panfletos bem rudimentares e comecei a entregar na vizinhança e nos lugares por onde passava. Os primeiros clientes de verdade foram pessoas conhecidas.

Em dezembro daquele ano (2014), meu marido tirou férias do serviço e começou a participar do negócio com mais frequência. Aproveitávamos o domingo, quando o transporte público custa metade do preço em Salvador, para atender vários clientes. Saíamos cedinho e fazíamos dois ou três carros na garagem do mesmo prédio. 

Cinara Costa

Foto: Arquivo Pessoal

Só que aí os clientes começaram a me perguntar se eu também fazia lavagem a seco de sofás e tapetes. Pensei que se eu não fizesse, outra pessoa iria fazer. O empreendedor deve ter a visão para resolver os problemas solicitados pelas pessoas. Então comecei a pesquisar o preço da máquina lavadora extratora e decidi prestar o novo serviço. 

No começo, seriam serviços separados. Depois percebi que os públicos são diferentes, assim como a forma de negociar. Então nasceu a Eco Beauty Home. Na lavagem de carros, a maioria do público é masculino, enquanto na lavagem de sofás e tapetes, boa parte das minhas clientes são mulheres donas de casa. 

Trabalhando com lavagem de carros sou vítima de muito preconceito. Quando eu e meu marido chegamos para realizar o serviço, muitos não acreditam que também vou realizá-lo. Para conquistar a clientela masculina, meu marido negocia. No entanto, quem sabe fazer isso bem sou eu! Mas se tento vender, sendo mulher, é sempre mais difícil.

Cinara Costa

Foto: Arquivo Pessoal

Hoje, eu cuido da lavagem de sofás, enquanto a lavagem de carros é feita em parceria com o meu marido. Ele lava o exterior — principalmente por que sou baixinha e nem sempre alcanço o capô — e eu a parte interna, que exige um trabalho mais minucioso. Olha como é a cabeça das pessoas: para elas, a mulher é a faxineira que vai limpar tudo bem direitinho, com bastante cuidado. Portanto, elas gostam que um homem limpe o exterior e uma mulher o interior.

Em 2015, conheci a Aliança Empreendedora e a Escola Brilhante por meio de um café com a Ana Fontes no SEBRAE. Me inscrevi para o Hora de Brilhar e fui selecionada entre as 60 melhores, mas não passei em uma das etapas. No ano seguinte, decidi me inscrever de novo e fiquei entre as 10 finalistas!

Na segunda tentativa, escrevi minha história de forma despretensiosa, com o coração. Já estava mais experiente e, como uma das finalistas, pude participar das aulas online e dos encontros presenciais. Tudo foi maravilhoso. Adorei as dinâmicas e conheci outras mulheres empreendedoras com histórias incríveis para contar e muito a ensinar.

Do Ciclo Brilhante, surgiu até uma parceria. Conheci a Rosângela, que também mora em Salvador e faz capas para sofá. Hoje estamos com uma promoção: quem comprar os dois serviços, o meu e o dela, ganha uma almofada feita pela Rosângela. Assim nós duas conquistamos novos clientes.

Empreender não é fácil: é preciso ter múltiplas mãos e cérebros para dar conta de tudo. Meu marido me ajuda, mas como ele tem emprego fixo, sou eu quem cuida de quase tudo: faço a parte de marketing, alimento as redes sociais e saio para comprar produtos. Hoje, estou aprendendo a lidar melhor com o preconceito e com a precificação do meu serviço, uma das principais dificuldades que sinto desde o começo.

No ramo de automóveis, não tenho tanta concorrência. No de lavagem de sofás, tenho sim. No entanto, já sei da qualidade do meu serviço e sei que não posso diminuir o preço a ponto do meu negócio deixar de ser sustentável.

Felizmente, meu faturamento em abril foi quase três vezes maior do que no ano passado. O gasto também aumentou, mas estou aprendendo a controlar as finanças e a equilibrar gastos e recebimentos.

Agora, meu objetivo é abrir um espaço físico para os clientes levarem seus carros e comprar um veículo pessoal para mim. Hoje, faço as visitas usando transporte público e Uber. Tenho certeza de que com um carro em mãos, meu número de visitas por dia irá aumentar muito.  E o crescimento não para por aí: eu e meu marido queremos fazer um curso em São Paulo para aperfeiçoar nossas habilidades e fazer pequenos reparos em carros — mais um serviço para aumentar o número de clientes e lucros.

*Em depoimento a Camila Luz

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