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Carla Vieira deixou emprego fixo para empreender como fotógrafa

Carla Vieira

Meu nome é Carla Vieira, tenho 40 anos, sou fotógrafa, jornalista e publicitária. Sou empreendedora há quase quatro anos.

Me apaixonei pela fotografia por volta de 1996, em uma revista chamada “Caminhos da Terra”. Na época, estava decidindo o que fazer na faculdade e optei pelo jornalismo porque queria viajar o mundo e fotografar suas maravilhas. Entrei para a faculdade em 1998 e acabei me formando em duas áreas da comunicação.

Comecei um curso de fotografia em 1997 e, em 2001, passei a trabalhar profissionalmente na área, com fotografias de casamentos e festas infantis. Eu tinha emprego fixo e trabalhava como fotógrafa nos finais de semana para ajudar na renda.

Comecei a escrever para um jornal de turismo e, como já era fotógrafa, aproveitava para fazer as fotos também para minhas matérias. Mesmo assim, mantinha meu trabalho com festas nos finais de semana.

Em um dado período, fiquei desempregada e comecei a fotografar para uma revista como freelancer e, assim, passei a clicar diariamente e me apaixonei cada vez mais pela profissão.

Dois anos depois, sem salário fixo e com a situação financeira bem apertada, resolvi voltar para o mercado corporativo, em busca de um emprego fixo na área de comunicação. Fiz uma pós-graduação em gestão estratégica da comunicação e consegui uma vaga como consultora em uma grande empresa. Mas já estava tão apaixonada pela fotografia que não conseguia ficar apenas com o emprego durante a semana e continuava a fotografar minhas festas e a fazer ensaios fotográficos.

O mercado de fotografia começou a crescer. Eu anunciava em sites de noivas e, quando elas ligavam, não podia atender durante o dia porque tinha compromisso com minhas atividades de trabalho. Passava boa parte do meu dia me perguntando o que estava fazendo ali. Saía para trabalhar na segunda, já pensando na sexta-feira e no final de semana, pois iria pegar minha câmera fotográfica. E, assim, precisei tomar uma decisão na minha vida. A fotografia mais uma vez falou alto. Decidi sair do emprego fixo e me dedicar integralmente à profissão de fotógrafa. Eu tinha um bom salário e todos os benefícios, mas sabia que poderia me dedicar ao que realmente gostava e ter muito retorno com isso.

Me organizei por um ano, juntando dinheiro para investir na carreira solo. Em junho de 2013, saí do meu emprego fixo.

Comecei a trabalhar sem planejamento e sem estratégia. Só sabia fotografar e acreditava que tudo daria certo porque já conhecia o mercado e, agora, tendo mais tempo para me dedicar, tudo seria diferente. Minha única estratégia era: aproveitar que eu já era conhecida na área de casamentos e investir nesse segmento por um tempo, para que pudesse me estruturar até abrir meu estúdio e me dedicar no segmento de fotografia de família. 

Carla Vieira

Carla Vieira Foto: Leo Oliveira

Investi pesado no mercado de casamentos. Comecei a participar de feiras para noivas,  anunciar em revistas e a fazer cursos – muitos! Um ano depois, fiz um levantamento de quanto já tinha gasto e vi que foi cerca de R$14 mil. Isso mesmo! Meu dinheiro estava acabando e eu não tinha tido retorno. Foi quando percebi que não sabia o que estava fazendo e precisava procurar ajuda.

Conheci um grupo de coaching para fotógrafos e esse foi meu primeiro contato com o mundo do empreendedorismo. Estava completamente cega e não percebia que havia um mundo paralelo à saber fotografar e que era fundamental para fazer o meu negócio dar certo.

Nesse mesmo período, eu tinha começado a fazer cursos de fotografia de estúdio e estava totalmente envolvida e decidida a focar nesse segmento. Passei a ser mais seletiva na busca por capacitação voltada para o que eu realmente gostaria de investir. Coloquei como meta que em 2017 eu deixaria o mercado de casamentos e estaria mais direcionada para a fotografia de família e corporativa.

Atualmente estou nessa fase. Tenho voltado meus esforços para esses dois segmentos. Como estou no processo de transição, sem casamentos e com poucos trabalhos ainda nos novos segmentos, a renda está muito baixa, mas isso tem me dado um gás maior para me dedicar ainda mais nas novas metas.

A fotografia de família geralmente é feita nos finais de semana. Com o tempo “ocioso” durante a semana e com a participação em eventos com empreendedoras, vi novas oportunidades de negócios e hoje tenho ampliado meus serviços para cobertura de eventos corporativos, fotografia de moda e de produtos para e-commerce.

Quero ampliar minha empresa e sair de microempreendedora individual para uma microempresária. Devido a alguns projetos que coloquei no ar ano passado, novos frutos estão surgindo. Mas percebo que não tenho como fazer tudo sozinha.

As ideias surgem aos montes! A vontade de fazer também! Empreender não é fácil e nos exige doses diárias de incentivo e disposição.

Com a saudade que tinha de viajar e fotografar turismo, lancei o projeto “Fotografar Mais”. Uma vez por mês, levo grupos de apaixonados por fotografia para um passeio fotográfico gratuito no Rio de Janeiro e dou dicas de fotografia. Esse projeto já me rendeu workshops e o convite para dar aulas de fotografia em uma escola.

O projeto autoral “Retrato de Mulher” por Carla Vieira, no qual fotografo mulheres aplicando técnicas de moda para valorizar seu estilo e mostrar a beleza da mulher comum, rendeu convites para participar de eventos de moda e, recentemente, para fotografar um editorial.

Ser empreendedora é viver diariamente um mundo de possibilidades. Sonho com meu estúdio e tenho certeza de que ainda irei concretizá-lo para receber mulheres em busca de ensaios pessoais, gestantes, mães e famílias. Quero registrar momentos de muita alegria através da minha lente. Como esses trabalhos geralmente só acontecem nos finais de semana, poderei aproveitar o tempo durante a semana para fotografia de moda e produtos para e-commerce.

Hoje, sou dona da Carla Vieira Fotografia e vivencio o terceiro grande desafio da minha vida. O primeiro foi entrar para o financiamento de um apartamento sem ao menos ter emprego fixo, na época em que trabalhava na revista. O segundo foi sair de uma grande empresa por vontade própria e arriscar no empreendedorismo. O terceiro, abrir meu estúdio fotográfico em um país em crise econômica. 

*Em depoimento a Camila Luz

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