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Bruna Salatta e as bolsas conscientes e inspiradoras da Telúrica

bruna salatta

Meu nome é Bruna Salatta, tenho 24 anos, nasci em São Paulo e cresci com um pé aqui e o outro em Osasco. Sou proprietária da Telúrica, marca de bolsas e mochilas que busca aliar um forte apelo estético com produção e ações que impactem positivamente as pessoas e o meio ambiente. 

Bruna Salatta

Bruna Salatta Foto: Arquivo Pessoal

Venho de uma família simples que me fez crescer em contato com dois pontos marcantes: amor por cozinhar e costurar. Cresci vendo meus pais, avós e tias fazendo os dois. Mas o que mais me encantava era a costura (e ao meu irmão a comida; hoje ele trabalha com gastronomia). 

Desde criança, era apaixonada por fazer as roupas das minhas bonecas. Lembro de criar para elas as peças que queria para mim. Com o tempo, fui me aventurando a fazer algumas saias e camisetas para usar. Porém, o que eu gostava mesmo era de bolsas e mochilas por algum motivo que nunca soube explicar. Por gostar tanto, sempre reparava nas bolsas das pessoas que eu considerava estilosas. Mas com 15 anos não tinha condições financeiras para comprar uma dessas mochilas.

Acho que a falta de algo instiga a criação, ou a transformação. Um dia vi uma calça do meu pai, que era feita de cotelê, numa cor caramelo queimado. Assim que bati o olho pensei que uma bolsa feita naquele tecido ficaria incrível. Então peguei a calça e comecei a cortar. Seguindo imagens de bolsas que vinham na minha cabeça, fui estudando no tecido onde devia fazer cada corte para ter o máximo de aproveitamento possível, sem fazer muitos remendos, e fui costurando à mão. Lembro de passar algumas tardes depois da escola sentada, costurando aquela bolsa, que tinha até forro e um bordado simples na lateral de um pequeno bolso externo.

bruna salatta

Foto: Arquivo Pessoal

Acho que eu não sabia que gostava tanto de bolsas até terminar de fazer a minha própria. A partir disso, comecei a ir em bazares beneficentes e brechós procurando roupas que tivessem tecido e estampas interessantes pra confeccionar uma bolsa nova. E assim foram muitas tardes da minha adolescência: visitando brechós e espetando a ponta do dedo com a agulha enquanto costurava.

Com toda essa experiência poderia ficar claro que eu queria trabalhar com moda. Porém, não foi o que aconteceu. Eu tinha bastante preconceito com essa área e um medo de me envolver com esse universo e me tornar superficial. Até então, achava que moda era só produzir novas tendências, várias vezes por ano, para vender e só. E só isso eu não queria. Sempre quis fazer algo que fizesse alguma diferença, mesmo que pequena, na vida de outras pessoas. Só que até cair a minha ficha de que dá pra fazer isso com moda (e como dá!), fui me aventurar por algumas experiências profissionais e pessoais bastante interessantes.

Comecei a trabalhar aos 16 anos e oscilei entre empregos de auxiliar administrativo, terapeuta corporal — quando consegui uma bolsa para cursar naturologia em uma faculdade — até assistente de curadoria em galeria de arte. Sempre buscava trabalhos diferentes, em áreas diferentes, porque sempre gostei do desafio de me propor a aprender algo novo. Porém, em todos eu me sentia muito perdida. Não sentia que era completo. Faltava algo.

bruna salatta

Foto: Arquivo Pessoal

Além disso, ainda tinha outro sonho: o de fazer um mochilão. No pico de toda essa sensação de não pertencer a lugar nenhum, fui demitida e aproveitei para justamente realizar esse sonho. Tranquei a faculdade e fui para um mochilão pela Chapada dos Veadeiros! Lá troquei trabalho por moradia, pedi caronas, conheci pessoas fantásticas,  tive experiências incríveis e entrei em contato com coisas que realmente têm valor para mim.

Natureza, histórias de vida e criação são algumas das minhas paixões. Enquanto estava na Chapada surgiu a ideia de começar a fazer bolsas para vender, porque a ideia de usar uma calça ou uma peça velha para criar algo novo foi ganhando significado. Eu percebi que a moda não precisava ser algo feito pra atender a necessidade só de uma pessoa, mas do mundo por completo através de ‘transformAções’. Assim eu poderia unir as coisas que mais amo com o que eu quero fazer, que é impactar positivamente as pessoas e o nosso planeta.

A ideia foi plantada! Voltei pra São Paulo, para a casa dos meus pais. Estava sem trabalho, mas achei em casa um saco cheio de tecidos que meu pai havia trazido da casa da minha avó, que é costureira. Ela havia ganhado vários tecidos de uma confecção que havia falido. O que eu fiz? Cacei os tecidos que tivessem uma estampa bacana e fiz duas mochilas com eles, aproveitando os aviamentos que já tinha em casa antes de viajar. Saí na rua e procurei um galho interessante pra usar de cabide e fiz fotos das mochilas nele.

Editei as imagens e coloquei no Facebook. Procurei vários grupos de vendas e trocas de roupas e acessórios de mulheres e publiquei um texto todo bonitinho dizendo que fazia bolsas artesanais e exclusivas.

Não sei o que deu em mim, só quis arriscar. Consegui vender uma das duas bolsas que fiz, mas aquilo já me deixou tão feliz. Eu finalmente havia conseguido ganhar dinheiro fazendo algo que gostava. Então fui comprar mais tecidos para produzir novas peças, coisas diferentes. A essa altura tinha conseguido comprar uma máquina de costura com a ajuda dos meus pais e já tinha feito um curso de costura e modelagem de bolsas antes de viajar, então estava um pouco mais equipada para fazer bolsas.

Eu não sou muito de desenhar as ideias. Para mim, elas surgem melhor quando vejo e toco o tecido. Então ia nas lojas e tinha ideias vendo um tecido ou outro. Visualizava a bolsa e só então comprava a metragem suficiente para produzir duas ou três. Chegava em casa, cortava, costurava, fazia a foto no meu cabide de galho e publicava nos grupos do Facebook.

bruna salatta

Foto: Divulgação

Pedi a ajuda de um amigo pra pensar em um nome pra essa marca de bolsas que estava tomando forma e através de uma música da Baby do Brasil surgiu a ideia: Telúrica. Além de ser uma música de uma das integrantes dos Novos Baianos — minha banda preferida — também é o nome dado às correntes elétricas naturais que ocorrem no interior da terra e se propagam pelo solo ou pelo mar. Perfeito!

Fui buscando cursos de empreendedorismo, revisitei contatos antigos para conseguir — ótimas — consultorias de coaching de pessoas que acreditavam no projeto e queriam ajudar. Com o tempo precisei procurar um emprego que me desse um salário fixo, mas continuei alimentando o sonho. Em um dos cursos online de empreendedorismo esbarrei com o concurso Hora de Brilhar. Último dia de inscrição. Me inscrevi e lá coloquei toda a proposta do meu sonho, mas sem nenhuma expectativa. Depois de alguns dias… A Telúrica tinha sido selecionada entre as dez melhores!

Eu mal podia imaginar o quanto esse concurso mudaria os meus caminhos.  O que aprendi durante esse processo fez toda a diferença para definir quem é a Telúrica hoje. E ainda ganhamos o prêmio!

O motivo da Telúrica existir é justamente acreditar que bolsas e mochilas são uma extensão da personalidade de cada pessoa. Elas são um veículo de expressão da identidade de cada um. Por isso, trabalho para desenvolver uma marca inspiradora. Mas nunca sozinha, porque acredito na moda como um caminho para fazer a diferença na vida das pessoas e do planeta.

Aos poucos, as coisas vão tomando forma. O propósito da Telúrica vem se aperfeiçoando com o tempo, de acordo com as experiências e conhecimentos que tenho e com as pessoas que cruzam o nosso caminho. A ideia de ser consciente com nossa produção sempre esteve presente, desde quando eu tinha 15 anos e usava as calças do meu pai. Não utilizar produtos de origem animal é uma escolha. Não queremos crueldade vinculada a nossa marca. Por vir de uma família de costureiras, ter mão de obra justa é imprescindível. E a isso está ainda ligada uma vontade gigante de criar bolsas bonitas e funcionais para fazer os clientes se sentirem mais incríveis ao usá-las.

Aqui fica um dos maiores aprendizados que tenho desenvolvido nesse processo: o de seguir a própria verdade, aquela que a gente quer expressar ao mundo e quer trazer à tona de dentro. Como mulher, percebo que dar vazão à chama que queima no peito é lutar para tirar de cima de si as toneladas de ideias que foram impostas sobre quem você deveria ser. Essas ideias só impedem a verdadeira e autêntica luz de cada pessoa brilhar.

É um desafio. Até agora, os percalços maiores sempre vieram de dentro, colocando em xeque o quanto acredito nesse projeto e o quanto estou disposta a lutar por ele. Mas depois de algumas andanças por aí finalmente sinto e sei que estou trabalhando por algo completo e verdadeiro: a Telúrica.

*Em depoimento a Camila Luz

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